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"Quando tinha treze
anos, eu estava no cinema à tarde, quando o lanterninha
passou fachando as fileiras e dizendo meu nome. Pensei que alguém
tinha morrido em casa, mas no saguão um funcionário
do colégio disse que era para eu ir urgente lá,
tinha ganhado o concurso de redação e estava na
hora da entrega dos prêmios.
Eu tinha faltado às aulas no dia anterior, de modo que não sabia de nada. Fui, direto do cinema para outro salão cheio de gente, só que iluminado, e recebi da diretora, como prêmio, uma autobiografia de J. Cronin, Pelos Caminhos da Minha Vida e a literatura seria o principal caminho da minha vida dali por diante. Hoje sei que escrevo porque tenho o dom, o mesmo que me permitiu fazer aquela redação em prosa poética, inclusive com rimas ao final de cada oração, única coisa que lembro daquele texto. Como é um dom, o mérito do portador é apenas o de manter o dom, aperfeiçoando e usando para o bem comum e não apenas pessoal, ou acredito pode ser ingenuidade, mas acredito que então se esvairia o dom. Além disso, como me enojei muito cedo das literatices e vanguardas, procuro escrever de forma clara e comunicativa. Creio que quem melhor definiu minha literatura foi Wilson Martins: 'autor de um idioma próprio e de uma não menos própria visão do homem'." Domingos Pellegrini |