Edgard Pereira


Nasceu em 1948, meados de exuberante setembro ao sul de Minas Gerais, um século após o surgimento do materialismo dialético do outro lado do Atlântico. Crescendo no seio de arraigadas convicções religiosas, cursou humanidades em seminário. Abandonando depois o seminário, transferiu-se para Belo Horizonte, onde cursou Letras nos autoritários anos de arbítrio (1968/1971). Na década de 70 conquistou vários prêmios literários, entre eles o terceiro lugar no Concurso Nacional de Contos do Paraná, categoria Estudante, e o primeiro lugar na Revista Literária (UFMG, 1971), tendo sido publicada uma ficção de sua autoria no jornal Movimento.

Ingressou em julho de 1982 na UFMG, onde é professor adjunto em regime de dedicação exclusiva. Doutor em Literatura Portuguesa pela UFRJ, em 1997, após uma bolsa de investigação científica concedida pela Fundação Calouste Gulbenkian em Portugal, defendeu tese sobre poesia portuguesa contemporânea, em especial o grupo de Cartucho (Lisboa, 1976). Este ensaio, ao se transformar em livro (Portugal – Poetas do Fim do Milênio), constitui um esforço pioneiro na divulgação da mais recente poesia lusa no Brasil.

Paralelamente à pesquisa acadêmica, tem cultivado uma apaixonada relação com a literatura, evidenciada na publicação de três volumes de ficção. Suas narrativas urbanas reelaboram a fragmentação da pessoa e da vida citadina e, conforme acrescenta Flávio Aguiar, no seu universo ficcional "clara, ainda que frágil, permanece a figura humana – com suas dúvidas, frustrações e pequenas alegrias". Na ótica de Alécio Cunha, seu texto "aposta em elementos como a dissecação do cotidiano, a exegese da memória em uma narrativa descontínua e que não se prende às amarras rígidas do tempo".