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Ela é Carioca
Tom
Jobim dizia que o Brasil não seria feliz enquanto todos não
pudessem morar em Ipanema. Ruy Castro, dono do que se conhece como
"humor tipicamente carioca", montou esta enciclopédia
com 231 perfis de pessoas, lugares e instituições
que explicam como e por que Ipanema fez escola e entrou para a história.
Cada perfil representa um pouco do mito que Ipanema se tornou.
Ruy Castro mostra que o mito tem razão
de ser. Naquela estreita faixa de terra do litoral carioca "produziu-se
a maior quantidade de cronistas, poetas, romancistas, designers,
arquitetos, cartunistas, artistas plásticos, compositores,
cantores, jornalistas, fotógrafos, cineastas, dramaturgos,
roteiristas, cenógrafos, figurinistas, atores, diretores
de TV, modelos, estilistas de moda e esportistas de que se tem notícia
no Brasil".
Pelo menos de 1910 a 1970, essa "província
de cosmopolitas" influi decisivamente na cultura brasileira.
Ipanema foi laboratório do comportamento moderno no Brasil,
o território do sexo sem culpa, das mulheres liberadas e
dos homens que tiveram de se reeducar para conviver com elas. E,
no plano político, "apesar da aura de futilidade que
a cercava, foi um permanente reduto de oposição (combateu
todos os governos dos últimos sessenta anos)".
Alguns personagens de Ela é carioca:
Tom Jobim, Leila Diniz, Rubem Braga, Tonia Carrero, Arduino Colasanti,
Millôr Fernandes, Danuza Leão, Vinicius de Moraes,
João Saldanha, Laura Alvim, Ernesto Nazareth, Aníbal
Machado, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Jânio de Freitas,
Paulo Francis, Lucio Cardoso, Jaguar, Mario Pedrosa, Marina Colasanti,
Odete Lara, Carlinhos Oliveira, Fernando Gabeira, Bruno Hermanny,
Gerald Thomas, Isabel e Jacqueline, Walter Clark, Cazuza, Ziraldo,
Zuzu Angel.
E mais: a Bossa Nova, o Cinema Novo, a Banda
de Ipanema, a Esquerda festiva, a fossa, o Pasquim, os artistas
plásticos, os artistas gráficos, os fotógrafos,
a saga das praias, os botequins históricos, os bebuns folclóricos,
as musas e as deusas.
Muitos dos habitantes ou freqüentadores
de Ipanema tornaram-se estrelas, mas a fama do bairro não
veio apenas deles. Veio de um fascinante clima natural alimentado
por homens e mulheres, jovens e velhos e pescadores e boêmios
quase anônimos. Foi dessa mistura que nasceu o mito descrito
em Ela é carioca.
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