SENHORA
(1875)
Capítulo primeiro
AURÉLIA
Há anos raiou no céu fluminense uma nova
estrela.
Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe
disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões.
Tornou-se a deusa dos bailes; a musa dos
poetas e o ídolo dos noivos em disponibilidade.
Era rica e formosa.
Duas opulências, que realçam como a flor
em vaso de alabastro; dois esplendores que se refletem, como o raio
de sol no prisma do diamante.
Quem não se recorda da Aurélia Camargo, que
atravessou o firmamento da corte como brilhante meteoro, e apagou-se
de repente no meio do deslumbramento que produzira o seu fulgor?
Tinha ela dezoito anos quando apareceu a
primeira vez na sociedade. Não a conheciam; e logo buscaram todos
com avidez informações acerca da grande novidade do dia.
Dizia-se muita coisa que não repetirei agora,
pois a seu tempo saberemos a verdade, sem os comentos malévolos
de que usam vesti-la os noveleiros.
Aurélia era órfã; e tinha em sua companhia
uma velha parenta, viúva, D. Firmina Mascarenhas, que sempre a acompanhava
na sociedade.
Mas essa parenta não passava de mãe de encomenda,
para condescender com os escrúpulos da sociedade brasileira, que
naquele tempo não tinha admitido ainda certa emancipação feminina.
Guardando com a viúva as deferências devidas
à idade, a moça não declinava um instante do firme propósito de
governar sua casa e dirigir suas ações como entendesse.
Constava também que Aurélia tinha um tutor;
mas essa entidade desconhecida, a julgar pelo caráter da pupila,
não devia exercer maior influência em sua vontade, do que a velha
parenta.
A convicção geral era que o futuro da moça
dependia exclusivamente de suas inclinações ou de seu capricho;
e por isso todas as adorações se iam prostrar aos próprios pés do
ídolo.
Assaltada por uma turba de pretendentes que
a disputavam como o prêmio da vitória, Aurélia, com sagacidade admirável
em sua idade, avaliou da situação difícil em que se achava, e dos
perigos que a ameaçavam.
Daí provinha talvez a expressão cheia de
desdém e um certo ar provocador, que eriçavam a sua beleza aliás
tão correta e cinzelada para a meiga e serena expansão da alma.
Se o lindo semblante não se impregnasse constantemente,
ainda nos momentos de cisma e distração, dessa tinta de sarcasmo,
ninguém veria nela a verdadeira fisionomia de Aurélia, e sim a máscara
de alguma profunda decepção.
Como acreditar que a natureza houvesse traçado
as linhas tão puras e límpidas daquele perfil para quebrar-lhes
a harmonia com o riso de uma pungente ironia?
Os olhos grandes e rasgados, Deus não os
aveludaria com a mais inefável ternura, se os destinasse para vibrar
chispas de escárnio.
Para que a perfeição estatutária do talhe
de sílfide, se em vez de arfar ao suave influxo do amor, ele devia
ser agitado pelos assomos do desprezo?
Na sala, cercada de adoradores, no meio das
esplêndidas reverberações de sua beleza, Aurélia bem longe de inebriar-se
da adoração produzida por sua formosura, e do culto que lhe rendiam,
ao contrário parecia unicamente possuída de indignação por essa
turba vil e abjeta.
Não era um triunfo que ela julgasse digno
de si, a torpe humilhação dessa gente ante sua riqueza. Era um desafio
que lançava ao mundo; orgulhosa de esmagá-lo sob a planta, como
a um réptil venenoso.
E o mundo é assim feito; que foi o fulgor
satânico da beleza dessa mulher, a sua maior sedução. Na acerba
veemência da alma revolta, pressentiam-se abismos de paixão; e entrevia-se
que procelas de volúpia havia de ter o amor da virgem bacante.
Se o sinistro vislumbre se apagasse de súbito,
deixando a formosa estátua na penumbra suave da candura e inocência,
o anjo casto e puro que havia naquela, como há em todas as moças,
talvez passasse desapercebida pelo turbilhão.
As revoltas mais impetuosas de Aurélia eram
justamente contra a riqueza que lhe servia de trono, e sem a qual
nunca por certo, apesar de suas prendas, receberia como rainha desdenhosa,
a vassalagem que lhe rendiam.
Por isso mesmo considerava ela o ouro um
vil metal que rebaixava os homens; e no íntimo sentia-se profundamente
humilhada pensando que para toda essa gente que a cercava, ela,
a sua pessoa, não merecia uma só das bajulações que tributavam a
cada um de seus mil contos de réis.
Nunca da pena de algum Chatterton desconhecido
saíram mais cruciantes apóstrofes contra o dinheiro, do que vibrava
muitas vezes o lábio perfumado dessa feiticeira menina, no seio
de sua opulência.
Um traço basta para desenhá-la sob esta face.
Convencida de que todos os seus inúmeros
apaixonados, sem exceção de um, a pretendiam unicamente pela riqueza,
Aurélia reagia contra essa afronta, aplicando a esses indivíduos
o mesmo estalão.
Assim costumava ela indicar o merecimento
relativo de cada um dos pretendentes, dando-lhes certo valor monetário.
Em linguagem financeira, Aurélia cotava os seus adoradores pelo
preço que razoavelmente poderiam obter no mercado matrimonial.
Uma noite, no Cassino, a Lísia Soares, que
fazia-se íntima com ela, e desejava ardentemente vê-la casada, dirigiu-lhe
um gracejo acerca do Alfredo Moreira, rapaz elegante que chegara
recentemente da Europa:
- É um moço muito distinto - respondeu Aurélia
sorrindo; vale bem como noivo cem contos de réis; mas eu tenho dinheiro
para pagar um marido de maior preço, Lísia; não me contento com
esse.
Riam-se todos destes ditos de Aurélia, e
os lançavam à conta de gracinhas de moça espirituosa; porém a maior
parte das senhoras, sobretudo aquelas que tinham filhas moças, não
cansavam de criticar esses modos desenvoltos, impróprios de meninas
bem educadas.
Os adoradores de Aurélia sabiam, pois ela
não fazia mistério, do preço de sua cotação no rol da moça; e longe
de se agastarem com a franqueza, divertiam-se com o jogo que muitas
vezes resultava do ágio de suas ações naquela empresa nupcial.
Dava-se isto quando qualquer dos apaixonados
tinha a felicidade de fazer alguma coisa a contento da moça e satisfazer-lhe
as fantasias; porque nesse caso ela elevava-lhe a cotação, assim
como baixava a daquele que a contrariava ou incorria em seu desagrado.
Muito devia a cobiça embrutecer esses homens,
ou cegá-los de paixão, para não verem o frio escárnio com que Aurélia
os ludibriava nestes brincos ridículos, que eles tomavam por garridices
de menina, e não eram senão ímpetos de uma irritação íntima e talvez
mórbida.
A verdade é que todos porfiavam, às vezes
colhidos por desânimo passageiro, mas logo restaurados por uma esperança
obstinada, nenhum se resolvia a abandonar o campo; e muito menos
o Alfredo Moreira que parecia figurar na cabeça do rol.
Não acompanharei Aurélia em sua efêmera passagem
pelos salões da corte, onde viu, jungido a seu carro de triunfo,
tudo que a nossa sociedade tinha de mais elevado e brilhante.
Proponho-me unicamente a referir o drama
íntimo e estranho que decidiu do destino dessa mulher singular.
O GUARANI
(1857)
Volume 1 - Capítulo
VII
A PRECE
A tarde ia morrendo.
O sol declinava no horizonte e deitava-se
sobre as grandes florestas, que iluminava com os seus últimos raios.
A luz frouxa e suave do ocaso, deslizando
para verde alcatifa, enrolava-se como ondas de ouro e de púrpura
sobre a folhagem das árvores.
Os espinheiros silvestres desatavam as flores
alvas e delicadas; e o ouricuri abria as suas palmas mais novas,
para receber no seu cálice o orvalho da noite. Os animais retardados
procuravam a pousada, enquanto a juriti, chamando a companheira,
soltava os arrulhos doces e saudosos com que se despede do dia.
Um concerto de notas graves saudava o pôr-do-sol
e confundia-se com o rumor da cascata, que parecia quebrar a aspereza
de sua queda e ceder à doce influência da tarde.
Era Ave-Maria.
Como é solene e grave no meio das nossas
matas a hora misteriosa do crepúsculo, em que a natureza se ajoelha
aos pés do Criador para murmurar a prece da noite!
Essas grandes sombras das árvores que se
estendem pela planície; essas gradações infinitas da luz pelas quebras
da montanha; esses raios perdidos, que esvasando-se pelo rendado
da folhagem, vão brincar um momento sobre a areia; tudo respira
uma poesia imensa que enche a alma.
O urutau no fundo da mata solta as suas notas
graves e sonoras, que, reboando pelas longas crastas de verdura,
vão ecoar ao longe como o toque lento e pausado do angelus.
A brisa, roçando as grimpas da floresta,
traz um débil sussurro, que parece o último eco dos rumores do dia,
ou o derradeiro suspiro da tarde que morre.
Todas as pessoas reunidas na esplanada sentiam
mais ou menos a impressão poderosa desta hora solene, e cediam involuntariamente
a esse sentimento vago, que não é bem tristeza, mas respeito misturado
de um certo temor.
De repente os sons melancólicos de um clarim
prolongaram-se pelo ar quebrando o concerto da tarde; era um dos
aventureiros que tocava Ave-Maria.
Todos se descobriram.
D. Antônio de Mariz, adiantando-se até à
beira da esplanada para o lado do ocaso, tirou o chapéu e ajoelhou.
Ao redor dele vieram grupar-se sua mulher,
as duas moças, Álvaro e D. Diogo; os aventureiros, formando um grande
arco de círculo, ajoelharam-se a alguns passos de distância.
O sol com o seu último reflexo esclarecia
a barba e os cabelos brancos do velho fidalgo, e realçava a beleza
daquele busto de antigo cavalheiro.
Era uma cena ao mesmo tempo simples e majestosa
a que apresentava essa prece meio cristã, meio selvagem; em todos
aqueles rostos, iluminados pelos raios do ocaso, respirava um santo
respeito.
Loredano foi o único que conservou o seu
sorriso desdenhoso, e seguia com o mesmo olhar torvo os menores
movimentos de Álvaro, ajoelhado perto de Cecília e embebido em contemplá-la,
como se ela fosse a divindade a quem dirigia a sua prece.
Durante o momento em que o rei da luz, suspenso
no horizonte, lançava ainda um olhar sobre a terra, todos se concentravam
em um fundo recolhimento, e diziam uma oração muda, que apenas agitava
imperceptivelmente os lábios.
Por fim o sol escondeu-se; Aires Gomes estendeu
o mosquete sobre o precipício, e um tiro saudou o ocaso.
Era noite.
Todos se ergueram; os aventureiros cortejaram
e foram-se retirando a pouco e pouco.
Cecília ofereceu a fronte ao beijo de seu
pai e de sua mãe, e fez uma graciosa mesura a seu irmão e a Álvaro.
Isabel tocou com os lábios a mão de seu tio,
e curvou-se em face de D. Lauriana para receber uma bênção lançada
com a dignidade e altivez de um abade.
Depois a família, chegando-se para junto
da porta, dispôs-se a passar um desses curtos serões que outrora
precediam à simples mas suculenta ceia.
Álvaro, em atenção a ser o seu primeiro dia
de chegada, fora emprazado pelo velho fidalgo para tomar parte nessa
colação da família, o que havia recebido como um favor imenso.
O que explicava esse apreço e grande valor
dado por ele a um tão simples convite era o regime caseiro que D.
Lauriana havia estabelecido na sua habitação.
Os aventureiros e seus chefes viviam num
lado da casa inteiramente separados da família; durante o dia corriam
os matos e ocupavam-se com a caça ou com diversos trabalhos de cordoagem
e marcenaria.
Era unicamente na hora da prece que se reuniam
um momento na esplanada, onde, quando o tempo estava bom, as damas
vinham também fazer a sua oração da tarde.
Quanto à família, essa conservava-se sempre
retirada no interior da casa durante a semana. O domingo era consagrado
ao repouso, à distração e à alegria; então dava-se às vezes um acontecimento
extraordinário como um passeio, uma caçada, ou uma volta em canoa
pelo rio.
Já se vê pois a razão por que Álvaro tinha
tantos desejos, como dizia o italiano, de chegar ao Paquequer em
um sábado, e antes das seis horas; o moço sonhava com a ventura
desses curtos instantes de contemplação e com a liberdade do domingo,
que lhe ofereceria talvez ocasião de arriscar uma palavra.
Formado o grupo da família, a conversa travou-se
entre D. Antônio de Mariz, Álvaro e D. Lauriana; Diogo ficara um
pouco retirado; as moças, tímidas, escutavam, e quase nunca se animavam
a dizer uma palavra sem que se dirigissem diretamente a elas, o
que rara vez sucedia.
Álvaro, desejoso de ouvir a voz doce e argentina
de Cecília, da qual ele tinha saudade pelo muito tempo que não a
escutava, procurou um pretexto que a chamasse à conversa.
- Esquecia-me contar-vos, Sr. D. Antonio,
- disse ele aproveitando-se de uma pausa, um dos incidentes da nossa
viagem.
- Qual? Vejamos - respondeu o fidalgo.
- A coisa de quatro léguas daqui, encontramos
Peri.
- Inda bem! - disse Cecília; - há dois dias
que não sabemos notícias dele.
- Nada mais simples,- replicou o fidalgo;
- ele corre todo este sertão.
- Sim! - tornou Álvaro, - mas o modo por
que o encontramos é que não vos parecerá tão simples.
- O que fazia então?
- Brincava com uma onça como vós com o vosso
veadinho, D. Cecília.
- Meu Deus! - exclamou a moça soltando um
grito.
- Que tens, menina? - perguntou D. Lauriana.
- É que ele deve estar morto a esta hora,
minha mãe.
- Não se perde grande coisa, - respondeu
a senhora.
- Mas eu serei a causa de sua morte!
- Como assim, minha filha? disse D. Antônio.
- Vede vós, meu pai, - respondeu Cecília
enxugando as lágrimas que lhe saltavam dos olhos; - conversava quinta-feira
com Isabel, que tem grande medo de onças, e brincando, disse-lhe
que desejava ver uma viva!...
- E Peri a foi buscar para satisfazer o teu
desejo,- replicou o fidalgo rindo. - Não há de admirar. Outras tem
ele feito.
- Porém, meu pai, isto é coisa que se faça!
A onça deve tê-lo morto.
- Não vos assusteis, D. Cecília; ele saberá
defender-se.
- E vós, Sr. Álvaro, por que não o ajudastes
a defender-se? -disse a moça sentida.
- Oh! Se vísseis a raiva com que ficou por
querermos atirar sobre o animal!
E o moço contou parte da cena passada na
floresta.
- Não há dúvida, - disse D. Antônio de Mariz,
na sua cega dedicação por Cecília quis fazer-lhe a vontade com risco
de sua vida. É para mim uma das coisas mais admiráveis que tenho
visto nesta terra, o caráter desse índio. Desde o primeiro dia que
aqui entrou, salvando minha filha, a sua vida tem sido um só ato
de abnegação e heroísmo. Crede-me, Álvaro, é um cavalheiro português
no corpo de um selvagem!
A conversa continuou; mas Cecília tinha ficado
triste, e não tomou mais parte nela.
D. Lauriana retirou-se para dar as suas ordens;
o velho fidalgo e o moço conversavam até oito horas, em que o toque
de uma campa no terreiro da casa veio anunciar a ceia.
Enquanto os outros subiam os degraus da porta
e entravam na habitação, Álvaro achou ocasião de trocar algumas
palavras com Cecília.
- Não me perguntais pelo que me ordenastes,
D. Cecília?- disse ele a meia voz.
- Ah! Sim! Trouxestes todas as cousas que
vos pedi?
- Todas e mais... - disse o moço balbuciando.
- E mais o quê? - perguntou Cecília.
- E mais uma cousa que não pedistes.
- Essa não quero! - respondeu a moça com
um ligeiro enfado.
- Nem por vos pertencer já? replicou ele
timidamente.
- Não entendo. É uma coisa que já me pertence,
dizeis?
- Sim; porque é uma lembrança vossa.
- Nesse caso guardai-a, Sr. Álvaro, - disse
ela sorrindo, - e guardai-a bem.
E fugindo foi ter com seu pai, que chegava
à varanda, e em presença dele recebeu de Álvaro um pequeno cofre,
que o moço fez conduzir, e que continha as suas encomendas. Estas
consistiam em jóias, sedas, espiguilhas de linho, fitas, galacês,
holandas, e um lindo par de pistolas primorosamente embutidas.
Vendo essas armas, a moça soltou um suspiro
abafado e murmurou consigo:
- Meu pobre Peri! Talvez já não te sirvam
nem para te defenderes.
A ceia foi longa e pausada, como costumava
ser naqueles tempos em que a refeição era uma ocupação séria, e
a mesa um altar que se respeitava.
Durante a colação, Álvaro esteve descontente
pela recusa que a moça fizera do modesto presente que ele havia
acariciado com tanto amor e tanta esperança.
Logo que seu pai ergueu-se, Cecília recolheu
ao seu quarto, e ajoelhando diante do crucifixo, fez a sua oração.
Depois, erguendo-se, foi levantar um canto da cortina da janela
e olhar a cabana que se erguia na ponta do rochedo, e estava deserta
e solitária.
Sentia apertar-se o coração com a idéia de
que, por um gracejo, tivesse sido a causa da morte desse amigo dedicado
que lhe salvara a vida, e arriscava todos os dias a sua, somente
para fazê-la sorrir.
Tudo nesta recâmara lhe falava dele: suas
aves, seus dois amiguinhos que dormiam, um no seu ninho e outro
sobre o tapete, as penas que serviam de ornato ao aposento, as peles
dos animais que seus pés roçavam, o perfume suave de beijoim que
ela respirava; tudo tinha vindo do índio que, como um poeta ou um
artista, parecia criar em torno dela um pequeno templo dos primores
da natureza brasileira.
Ficou assim a olhar pela janela muito tempo;
nessa ocasião nem se lembrava de Álvaro, o jovem cavalheiro elegante,
tão delicado, tão tímido, que corava diante dela, como ela diante
dele.
De repente a moça estremeceu.
Tinha visto à luz das estrelas passar um
vulto que ela reconheceu pela alvura de sua túnica de algodão, e
pelas formas esbeltas e flexíveis; quando o vulto entrou na cabana,
não lhe restou a menor dúvida.
Era Peri.
Sentiu-se aliviada de um grande peso; e pôde
então entregar-se ao prazer de examinar um por um, com toda a atenção,
os lindos objetos que recebera, e que lhe causavam um vivo prazer.
Nisso gastou seguramente meia hora; depois
deitou-se, e como já não tinha inquietação nem tristeza, adormeceu
sorrindo à imagem de Álvaro, e pensando na mágoa que lhe fizera,
recusando o seu mimo.
(Trechos selecionados pela Academia Brasileira
de Letras)