Manuel Antônio Álvares de Azevedo


Nasceu em São Paulo, em 12 de setembro de 1831; filho do então estudante de Direito Inácio Manuel Álvares de Azevedo e sua esposa, Maria Luisa Silveira da Mota, ambos de famílias ilustres. Criou-se no Rio de Janeiro a partir dos dois anos de idade e nesta mesma cidade fez os estudos secundários (exceto um ano em São Paulo), bacharelou-se no Colégio Pedro II em fins de 1847. Aos dezesseis anos matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo, onde fundou a revista mensal da sociedade "Ensaio Filosófico Paulistano". No primeiro ano do curso jurídico, produziu uma peça teatral, em que imitou o 5º. ato do Otelo, de Shakespeare; depois traduziu a "Parisina" de Byron; em seguida traçou as cenas principais do drama Conde Lopo, de que só restam alguns fragmentos. Leu assiduamente Homero, Dante, Shakespeare, Byron, Musset, Heine e a Bíblia. Estava no último ano do curso, quando segue para o Rio, a fim de passar as férias com a família. Atacado pela tuberculose, doença dos românticos, que se agravou com um tumor na fossa ilíaca, Álvares de Azevedo sabia que estava condenado. A operação dolorosa a que se submeteu não teve efeito, morria o poeta com vinte anos e meio. Nenhum livro publicou em vida, apenas alguns poemas esparsos e Discursos, texto comemorativo do aniversário dos cursos jurídicos em 1849. Um ano depois de sua morte, surgiu, com grande sucesso, a "Lira dos vinte anos" (1853). Seu nome, cercado de uma aura de satanismo, libertinagem e morbidez, fruto de uma suposta imitação dos grandes românticos europeus, que não passava de imaginação segundo o testemunho de seus colegas e das próprias cartas do poeta. Álvares de Azevedo foi ainda dramaturgo e contista. Antes de morrer no Rio de Janeiro, em 25 de abril de 1852, teria dito: "Que fatalidade, meu pai!".