Érico Lopes Veríssimo

Nasceu cm Cruz Alta, Rio Grande do Sul, em 17 de dezembro de 1905. Filho de família abastada que se arruinou economicamente, foi obrigado a exercer várias funções modestas na juventude. Foi farmacêutico, trabalhou na Livraria do Globo, tornou-se grande amigo de Henrique Bertaso, filho do dono, de quem escreveu uma biografia. Em 1931 transferiu-se em definitivo para Porto Alegre, onde se tornou diretor da Revista do Globo. Veríssimo traduzia e trabalhava durante a semana e escrevia durante os fins de semana. Até a publicação de Olhai os Lírios do Campo, Veríssimo não tinha popularidade. Teve seu primeiro trabalho publicado em Porto Alegre, assinando um conto com inclinação regionalista: Ladrão de Gado e chegou à plenitude da carreira de escritor, com O Tempo e o Vento, segundo ele próprio o "livro mais franco e mais livre de inibições" que escreveu, foi a formação social do Rio Grande do Sul que lhe forneceu elementos para a construção da grande saga, verdadeiro monumento literário. Depois que passara a viver na Província, apegado a Porto Alegre, não tardou a projetar-se no país e no exterior, conseguindo, naquela época, profissionalizar-se como escritor, situação alcançada por muito poucos em língua portuguesa. Fortemente antifascista, assinou um manifesto em 1935 contra o fascismo e isso lhe rendeu algumas (falsas) acusações de comunista. Sentindo-se sufocado pelo Estado Novo, aceitou em 1943 um cargo como professor universitário nos EUA (e ele nem sequer completara oficialmente o segundo grau) e foi ensinar na Universidade de Berkley, na Califórnia. Viajou muito, especialmente quando nos anos 50 teve um cargo na União Pan-Americana. Não chegou a completar o segundo volume de sua autobiografia, Solo de Clarineta, que seria uma trilogia, faleceu em 28 de novembro de 1975, em Porto Alegre.