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O NOVO CONTO BRASILEIRO: APOCALIPSES
6
- Marçal Aquino
Marçal
Aquino, paulista, nasceu em 1958. Antes de lançar seu primeiro livro
de contos, As fomes de setembro, publicou dois volumes
de poesia e três novelas juvenis. As
fomes de setembro traz narrativas marcadamente suburbanas, cheias
de ironia e lirismo. Já a segunda antologia de contos, Miss Danúbio, e a terceira, O
amor e outros objetos pontiagudos, deslocam o cenário geográfico
da metrópole para os rincões da América Latina (cujos limites se
sobrepõem), e confirmam o talento de Aquino para a narrativa curta
especificamente voltada para o cotidiano das estradas, dos descampados
e das fronteiras. Nessas histórias feitas de lances rápidos, de
diálogos cortantes e desenlaces surpreendentes, é fácil reconhecer
elementos da literatura policial e principalmente do cinema, gênero
artístico tão caro ao autor, também ele roteirista cinematográfico.
Por isso a economia de meios ao definir um ambiente (geralmente
espeluncas e puteiros), um grupo de personagens (prostitutas e assassinos)
e uma trama (um ajuste de contas, um adultério). Certo clima de
final dos tempos, de ajuste de contas com Deus e o diabo, circunda
as personagens tipicamente sul-americanas dos dois últimos livros
de Aquino. A moral e a ética que as move são as do submundo poeirento
dos vilarejos do interior do Brasil, locais distantes de qualquer
núcleo administrativo, às vezes sem energia elétrica, sem televisão
e conseqüentemente sem indústria cultural.
Para narrar o périplo
desses expatriados, como já disse, Aquino faz uso, sempre, de períodos
curtos e de estocadas fulminantes. A ignorância, o ódio, o sexo,
a vingança, o crime, a traição seguida da execução do traidor são
uma constante em seus contos. Para verificar isso, basta ler Matadores,
conto que depois de sua publicação se transformou num dos melhores
longa-metragens brasileiros da última década. Nele, dois matadores
de aluguel, Alfredão e um jovem cujo nome não conhecemos (um mestre
e um aprendiz, simplificando as coisas), encontram-se num bar de
beira de estrada, freqüentado por caminhoneiros e prostitutas bolivianas,
paraguaias e nordestinas. Estão aí há dias, a espera de uma suposta
vítima que não chega. É justamente esta espera, feita de confidências
e de lembranças, que aos poucos vai envolvendo e sufocando o leitor,
até o arremate inesperado. O estilo de Aquino é simples e direto,
sem espaço para subjetivismos. Como numa boa trama detetivesca,
ele deita todas as cartas na mesa menos a última, que contém o destino
dos protagonistas. Dividido em quatro capítulos, o narrador onisciente
de Matadores salta da espera no bar para alguns
fatos que aconteceram muito antes, envolvendo outro matador, de
nome Múcio, antigo parceiro de Alfredão. Deste ponto o narrador
volta para o bar, a fim de encerrar a espera e também a ação que
está se dando no momento presente. Em seguida, pula novamente para
a história de Múcio, para os instantes finais do relato de seu último
dia de vida, encerrando-o de maneira que lance luz em tudo o que
veio sendo narrado até aqui.
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Em breve,
conto de
Marçal Aquino
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