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Panorama da Literatura Brasileira Conteporânea
Um olhar retrospectivo e algumas reflexões no presente

70/80: duas décadas memoráveis
O que dizem os escritores
A partir de 90, mudança nas regras do jogo



MÁRCIA DENSER

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O fim de século nos coloca face à necessidade de fazermos balanços, sínteses, revisões. Pretender um panorama da nossa literatura no limiar de um novo milênio, como em qualquer época, não é tarefa fácil ao estudioso e pesquisador.

No final dos anos sessenta ninguém poderia prever o Boom Literário (de autores e obras) que eclodiria na década posterior, evidenciando diferentes gerações de escritores desde os então estreantes Ivan Ângelo, Caio Fernando Abreu, Antonio Torres, Roberto Drumond, Aguinaldo Silva, até os já consagrados como Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Osman Lins, Autran Dourado, Rubem Braga, Rubem Fonseca, Dalton Trevisan e outros, constituindo um evento sem precedentes em nossa história literária.

Em conferência apresentada nos Estados Unidos em 1972 , cujo tema era um balanço da nossa literatura entre 60 e 70, o crítico e professor Antonio Cândido observa: "Será possível a um contemporâneo dizer o que está acontecendo de realmente importante na literatura de seu país? Muitas vezes o que há de importante não aparece no momento em que ocorre; está nos níveis escondidos, nas correntes subterrâneas, nos gritos sem eco. Permitam-me, pois, falar apenas sobre o que estou vendo na literatura atual do Brasil".

Malgrado ter intuído acertadamente ao aludir às correntes subterrâneas, aos níveis escondidos, o que ele estava vendo parecia apontar para um certo recesso da literatura.

Segundo ele, um dos fatores seria o caráter corrosivo das vanguardas, responsáveis pelo afastamento da vida literária dos jovens talentos que migram para outras artes, notadamente a música, como no caso de Chico Buarque no qual o mestre vislumbrava o talento poético. Aliás, o alheamento poético teria levado a palavra, constrangida pelo exagero de seu emprego não-referencial, a refugiar-se em formas como o ensaio crítico e o memorialismo, próprio da virada da década ( aliás já era sintoma do fim de século, uma vez que a tendência acentuou-se nas décadas posteriores).

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Antonio Cândido fala do estado de coisas no decênio, caracterizado pelo regime militar, pela violência, pela censura, que levaria à migração interior - isto é, à fuga para dentro de si mesmo, ao silêncio e à auto-repressão - e que limitaria a atividade intelectual e criativa.

Posteriormente, como se sabe, os fatos não lhe deram razão.
Assim é que para lançar este olhar retrospectivo desde o presente, invocando a cumplicidade do leitor, convém apresentar-se, contando quem somos e a que viemos.

Como escritora que surgiu na década de 80 - a dos Roteiros do Corpo - como tão bem definiu o ensaísta Ítalo Moriconi e parafraseando Neruda, confesso que vivi a época que hoje estudo. Logo, traçar este painel, alargar o campo da consciência crítica e criativa é tarefa que se impõe duplamente a mim, escritora e pesquisadora, uma vez que adoto a definição de Júlio Cortázar para meu objeto de estudo: a Literatura como empresa de conquista verbal da realidade.
De forma que vivi e vivo nesta seara literária onde supostamente vale-tudo. Aliás, a dissolução dos gêneros não é nossa especialidade? Imaginem. E os ingleses e americanos pensando ter inventado a pós-modernidade e seus atributos. Nós, brasileiros, nascemos pós-modernos.
Multiplicidade, fragmentação, hibridismos e respectivos anexos, qualquer coisa, nossa jogada com a realidade começa aí. As regras do jogo da sobrevivência, diga-se.
Publiquei meu primeiro livro Tango Fantasma em 1977.
Alguns anos fabulosos acabavam de começar.


70/80: duas décadas memoráveis





Os anos 70 inserem-se num período mais amplo de transição social no Brasil, onde o novo e o velho se interceptam, tensionados, em crise, produzindo culturalmente um rico momento relacional , comprimido entre o saldo dos movimentos sociais de 60, a revolução cubana, a construção de Brasília, o nacionalismo desenvolvimentista, e o Brasil futuro, entrevisto nas comunicações via Satélite, no poder das multinacionais, na revolução dos costumes.

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Durante o governo Geisel, 1975 , caracterizado pela censura e pela violência do regime militar que se estendia por 11 anos, artistas e público fazem causa comum.

Assinala o ensaísta Roberto Schwartz: "Para o professor cinqüentão de hoje não é fácil explicar aos alunos a beleza e o sopro de renovação e justiça que na época se haviam associado à palavra democracia (e socialismo)".

Schwartz traça com argúcia e precisão as linhas mestras do espírito de época :
"Seja como for, o nacionalismo desenvolvimentista armou um imaginário social novo, que pela primeira vez se refere à nação inteira, e que aspira, também pela primeira vez, a certa consistência interna: um imaginário no qual, sem prejuízo das falácias nacionalistas e populistas, parecia razoável testar a cultura pela prática social . De passagem seja dito que a derrocada posterior das promessas daquele período não invalidou - ao menos não por completo - o sentimento das coisas que se haviam formado.(...) Aliás, com sua parte de simpatia e tolerância, mas também de absurdo e primitivismo, essa mescla do tradicional e do moderno se prestava bem para emblema pitoresco da identidade nacional.(...) Foi um momento de forte tomada de consciência contemporânea que se traduziu por uma notável desprovincianização do pensamento, pois o desenvolvimento nacional reorganizava o espaço da imaginação e do pensamento crítico em torno de um eixo interno. O ciclo chegou ao fim com a crise da dívida, e sobretudo com os novos saltos tecnológicos e a globalização da economia, que somados levantaram a muralha e transformaram a paisagem."

A comunidade literária vivia intensamente o presente, aquilo que a imprensa da época denominou O BOOM LITERÁRIO DOS ANOS 70.

As décadas de 70 e 80 evidenciaram sobretudo a produção e publicação do conto , genuína manifestação em conformidade com nossa determinação geno-antropológica, tanto em livros de um só autor, quanto em antologias onde participavam diversos escritores.

Até o final dos anos 80 os escritores eram festejados como estrelas da mídia.

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Agentes internacionais como Carmen Balcels, Thomas Colchie, Ray-Güde Mertin, Raquel de La Concha e outros, começam a vir para o Brasil, atraídos pelos rumores que circulavam na comunidade literária mundial a respeito do nosso boom de obras e autores, respaldados no Nobel de literatura que Garcia Marquez trouxera em 1982 para a América Latina (Marquez era representado por Carmen Balcels), nas promessas do brilhante grupo de escritores portugueses unidos no pós-25 de abril - promessas que posteriormente se confirmariam pelo Nobel ganho por José Saramago em 98, que era representado já nessa época por Ray-Güde Mertin. Aliás, minha agente. Bem como de Marcos Rey, Oswaldo França Júnior, Lygia Fagundes Telles, Ignácio de Loyola Brandão, João Antonio, Antonio Torres. Nélida Pinõn continuou sendo agenciada por Carmem Balcels e Rubem Fonseca por Thomas Colchie.

O interesse agentes foi um fato sem precedentes em nossas letras, o fato de representar escritores brasileiros no exterior precisamente porque nós vendíamos em nosso país uma literatura experimental - enfim, a prata da casa - sem intervenção ou monitoramento do mercado editorial local.

As obras eram populares junto ao público e à crítica.

Intensificava-se o debate e o intercâmbio de livros e idéias.

Inúmeras publicações especializadas como Escrita (SP), Inéditos (MG), Ficção (RJ), O Saco (CE) divulgavam autores inéditos e consagrados, alimentavam a polêmica literária nos centros urbanos do país, publicando ensaios, crítica, contos, crônicas, poemas, que também eram vinculados pelos grandes jornais, suplementos de O Estado de São Paulo, Jornal do Brasil e A Tribuna da Imprensa no Rio de Janeiro, Suplemento do Estado de Goiás, Suplemento de Minas, e pelas revistas de circulação nacional (Status, Play-Boy, Lui, Nova, Vogue, Homem), muitas hoje extintas.

Na época, estes eram considerados poderosos formadores de opinião, entre outras razões pelo fato de ter em seus quadros escritores e críticos como Ignácio de Loyola Brandão, Ivan Ângelo, Antonio Callado, Antonio Cândido, Affonso Romano de Santana, Florestan Fernandes, Geraldo Galvão Ferraz.
Promoviam-se concursos literários que de fato lançavam e/ou consagravam escritores (Dalton Trevisan, Rubem Fonseca são dois exemplos) tais como o Concurso de Contos do Estado do Paraná e Prêmio Status de Literatura.
Obras produzidas naqueles anos eram traduzidas e publicadas no exterior, sobretudo na França, Itália e países de língua germânica, Alemanha, Suiça, Holanda, Áustria, salvo os Estados Unidos cuja Universidade, por outro lado, intensificou junto aos nossos autores a pesquisa acadêmica especializada.

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De lá para cá, mais precisamente desde 87, o ano da moratória e identificado como - não o do fim do sonho - mas início do pesadelo literário sob as leis implacáveis do mercado editorial que "monitora" obras e autores, comprometendo irrevogavelmente o valor do produto final e o moral do produtor, a literatura brasileira de qualidade tem sobrevivido quase unicamente da força inercial aurida nos anos 70.

Sintomaticamente, na Bienal do Livro de 1990 os agentes internacionais desaparecem da cena literária brasileira.



O que dizem os escritores


A respeito da situação atual da literatura brasileira, tomamos o depoimento de dois escritores. Um deles é Deonísio da Silva, autor consagrado da geração de 80, escritor e professor da UFSCar, doutor em letras pela USP, traduzido em vários países, seus livros mais importantes são os romances Avante, soldados: para trás, Orelhas de Aluguel, A cidade dos padres, Teresa, Os Guerreiros do Campo (sobre o MST), assinando coluna semanal de Etimologia na revista CARAS e crônica mensal na Época, e não se duvide que seja conhecido pelos leitores unicamente por estas.

Ele atribui a atual falta de reconhecimento dos escritores brasileiros à ausência de profissionalismo da grande imprensa, ao lobby das editoras, ao desinteresse e ao preconceito existente na Universidade, à elite atual que, além de ignorante, é perversa.

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Deonísio declara: "A literatura brasileira vive a fase mais exuberante de sua existência de cinco séculos, mas também aqui chatos historiadores excluíram dois séculos. Ai, quanto motivo para teses, mas nossos doutores universitários chafurdam em teorias e pós-modernismos absurdos, sem ter ao menos um Gilberto Freyre que a redima de tantas teorias e de má interpretação... No futuro, quem quiser pesquisar nossa produção literária terá de recorrer a médios e pequenos jornais e, não podendo pesquisar fora do eixo Rio-São Paulo, terão de ir à Biblioteca do Congresso dos EUA. Estará tudo lá... O Brasil tem 1200 editoras, 900 livrarias e centenas de verdadeiros escritores. Por que são sempre os mesmos os comentados e entrevistados?...Dou este depoimento sabendo que não sou exceção, sou norma. Em 1992 ganhei o Prêmio Internacional Casa de Las Américas com o romance Avante, soldados: para trás, num júri presidido por José Saramago. A Folha pautou o assunto para seu caderno regional, Ribeirão, cidade com a qual não tenho qualquer ligação, até porque vivo em São Carlos há 20 anos. A Veja pautou o tema para a Veja Interior, hoje já falecida. O assunto não era denúncia de outra mazela do terceiro mundo, mas uma conquista semelhante a um feito glorioso em olimpíadas às quais ela dá capa. Do episódio teria outros exemplos de falta de profissionalismo, mas vou poupar os leitores. Só queria matar a cobra e mostrar o pau, se é que me entendem. Noto entre os escritores um mal-estar que se origina na imprensa e na universidade, justamente duas instituições das quais poderíamos esperar reconhecimento. Por justiça, reconheço que há exceções. Na internet, em pequenas e médias publicações, é quando nós, os loucos da literatura brasileira, nos manifestamos. Ou quando surge um bom editor na grande imprensa, também ali nos manifestamos. Mas dependemos de pessoas, no caso, não de instituições".

Ironicamente e contra todos os prognósticos, desde meados de 90 a Internet está se afirmando como suporte e veículo de manutenção e divulgação de obras e autores na lacuna aberta pelos espaços antes ocupados na grande imprensa e revistas especializadas.

O depoimento do jovem autor Rodrigo Penteado,31, mestrando em teoria literária na USP, com o primeiro romance Zé Ferino publicado pela Ateliê Editorial, é exemplo de como o novo acolhe o velho, isto é, como a novíssima geração relaciona-se e interage com os autores vivos de duas, três gerações anteriores e assim insere-se na tradição maior da literatura brasileira, dela se tornando parte ativa. Ele diz:"...como todo escritor tem uma natureza comum, um padrão existencial apoiado na necessidade da linguagem escrita, idealizei um projeto que agrega os escritores brasileiros num espaço virtual e os aproxima de seus leitores. No portal Klickescritores me coloco em meio a um grupo seleto e selecionado e fujo deste meu isolamento. Creio que foi uma forma intuitiva de conhecer, interagir e homenagear nossos escritores".

Deonísio da Silva chama atenção para o papel do escritor como testemunha de seu tempo: "Nós espelhamos em nossa literatura outro Brasil. Poucos estão se interessando por ele, por nossos livros e por nós. Por nós, não precisam se interessar. Mas sim por nossos livros, seus leitores e seu público. Em geral, os editores alegam falta de espaço que entretanto não falta para nulidades que dão entrevistas até sobre o que provavelmente estão pensando em escrever".

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Ou sobre o que não vão escrever, ou sobre o que, se escreverem, não terá nenhuma importância ao longo do tempo, para as futuras gerações.



A partir de 90, mudança
nas regras do jogo




Entretanto os escritores continuam a existir, emergir dum caos ainda pior, sobrevivendo a um inimigo infinitamente mais poderoso que o infeliz general de óculos escuros: o dinheiro, posto que é o império do lucro quem dita as regras em todos os setores da vida humana, e é quem determina, nivelando por baixo, a estética de toda produção artística contemporânea.

O ensaísta inglês Mike Featherston no livro O Desmanche da Cultura -Globalização, Pós-Modernismo e Identidade ( São Paulo, Studio Nobel/Sesc, 1997) aponta as características deste estado de coisas (império das leis de mercado): "A substituição da ética pela estética leva à perda da postura crítica e do envolvimento político. Sem uma representação ou modelo explanatório, perde-se a capacidade de agir com o intuito de mudar o mundo (perda da utopia)."

Assim é que a partir dos anos 90 comprova-se a emergência de muitos escritores e excelentes, entre os quais assinalamos Bernardo Ajzenberg (Variações Goldman) cuja novelística como tragicomédia da classe média dá uma contribuição importante ao romance urbano contemporâneo, na linha de Marcos Rey (Malditos Paulistas) cuja temática Ajzenberg aprofunda, amplia e atualiza. Ainda na vertente romanística, temos a obra de Milton Hatoun (Dois Irmãos) ressaltando o relato no plano temporal, isto é, como raconto da saga do imigrante através de gerações, alinhando-se tangencialmente a Raduan Nassar em Lavoura Arcaica, seu primeiro romance publicado em meados de 70. Nelson de Oliveira ( Subsolo Infinito) evidencia-se na ficção em prosa pela linguagem elaborada, experimental, apresentando semelhanças estilísticas com Caio Fernando Abreu (1947-1996) de qualquer forma ambos continuadores da vertente clariceana de linguagem.

Além destes, apontamos Marcelo Coelho, André Santana, Fernando Bonassi como alguns dos talentos literários que surgiram nos anos 90.

Donde conclui-se que a crise não é de bons escritores, não está na criação, deixando a desejar a divulgação que tem tido a produção literária experimental de alta qualidade.

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O que existe atualmente, por detrás dos bastidores, é uma mudança qualitativa nas relações entre escritores vivos.


Em primeiro lugar, devido à dessacralização do papel do escritor em geral, que "desceu da torre de marfim" (algo já assinalado por Antonio Cândido no estudo de 1972), em segundo, esta mudança de posição somada ao fato dos escritores vivos de gerações anteriores já não receberem o mesmo reconhecimento público, não estarem na mídia, estes - aos olhos do autores de 90 - deixaram de ser seus "ídolos", modelos a seguir, embora sejam sua única referência.

Retornando ao Antonio Cândido, este identifica três gerações de escritores brasileiros no século XX ( 1900-1922-1945) às quais o pesquisador Antonio Mendes da Costa Braga acrescenta a de 1975 , totalizando quatro, contudo já estamos em 2001 e malgrado havermos comprovado a existência e a excelência de bons escritores editados pós-90, estes não constituem uma geração literária, a de 2000, e que já estaria chegando tarde, cinco anos mais tarde que as precedentes.

Braga assinala que, em 75, o que nos tornou uma geração literária não se originou apenas em razão de havermos compartilhado ações e experiências, de havermos triunfado sobre fatores externos e internos, mas sobretudo por havermos desenvolvido uma consciência comum que tornou o espaço literário dos anos 70 um campo social capaz de respirar por conta própria, por sua determinação. E conclui que nossa relevância se evidencia ainda mais considerando o evidente refluxo da literatura brasileira nas duas décadas posteriores, em boa parte constrangida pelo avanço da literatura de auto-ajuda e pelos best-sellers internacionais que inundaram o mercado editorial .

Pois é. Em 2001 novos escritores emergiram, revistas literárias, idem, internet idem, ibidem.

Mas por que não dá liga ?

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Inclusive devido ao aumento de expectativa de vida do brasileiro, hoje temos a coexistência de 4 (quatro) gerações de escritores e intelectuais mas aos quais falta a necessária e profunda interação, aos quais falta intercâmbio e comunicação, e isto pode comprometer o Projeto Literário Brasileiro - nem que for para negar é preciso reconhecer a Tradição para nela se inserir e a cadeia não se romper.

À guisa de fechamento, a questão que Roberto Schwartz coloca é a nossa:
"O divórcio entre economia e nação é uma tendência cujo alcance ainda mal começamos a imaginar. A pergunta não é retórica: o que significa uma cultura nacional que já não articule nenhum projeto coletivo de vida material, e que tenha passado a flutuar publicitariamente no mercado, apenas como casca vistosa?"

São Paulo, janeiro/2001.
Márcia Denser é escritora e pesquisadora
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1

CÂNDIDO, Antonio. "Literatura Brasileira em 1972", em Arte em Revista I, São Paulo, Kairós, jan-mar 1979.

2 CANCLINI, Nestor Garcia. "La modernidad después de la posmodernidad" em Modermidade:vanguarda artística na América Latina. org. Anna Maria Belluzzo, Memorial/UNESP, São Paulo, 1990.
3 QUADRO BRASIL. Cronologia das Artes em São Paulo, 1975-1995, volume 1..
4 SCHWARTZ, Roberto. " Nunca fomos tão engajados", em Seqüências Brasileiras, pg 174. São Paulo, Companhia das Letras, 1999.
5 DENSER, Márcia, BEAUCHAMP, Maria Helena em Cronologia das Artes, vol.6 - Literatura, MORICONI, Ítalo, em Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século. Rio de Janeiro, Objetiva, 2000. HOHLFELDT, Antonio. O conto brasileiro contemporâneo. Porto Alegre, Mercado Aberto , 1982.
6 PINHEIRO, Amálio. Códigos Verbais:Jornalismo e Poéticas, São Paulo, PUCSP, 2000.
7 CANDIDO, Antonio. Literatura e Sociedade São Paulo, Editora Nacional, 1982.
8 BRAGA, Antonio Mendes da Costa. Profissão: Escritor. (Dissertação de Mestrado) FFLCH, 2000.
9 BRAGA, Antonio Mendes da Costa. idem acima, pg.2.
10

SCHWARTZ, Roberto. "Fim de Século", pg 162, em Seqüências Brasileiras.



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