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Há bocetas que riem e bocetas que falam; há bocetas
malucas e histéricas com o formato de ocarinas e há
bocetas abundantes e sismográficas que registram o subir
e baixar da seiva; há bocetas canibalistas que se abrem como
fauces de baleia e engolem vivo; há também bocetas
masoquistas que se fecham como a ostra, têm conchas duras
e talvez uma ou duas pérolas dentro; há bocetas ditirâmbicas
que dançam à mera aproximação do pênis
e ficam inteiramente úmidas com o êxtase; há
as bocetas porco-espinho que abrem seus espinhos e sacodem bandeirinhas
no Natal; há bocetas telegráficas que praticam o código
Morse e deixam a mente cheia de pontos e traços; há
as bocetas políticas que estão saturadas de ideologia
e que negam até mesmo a menopausa; há bocetas vegetativas
que não apresentam reação a menos que você
as puxe pelas raízes; há bocetas religiosas que cheiram
como Adventistas do Sétimo Dia e estão cheias de contas,
minhocas, conchas, excrementos de carneiro e de vez em quando migalhas
de pão seco; há as bocetas mamíferas que são
forradas com pele de lontra e hibernam durante o longo inverno;
há bocetas navegantes equipadas como iates, que são
para solitários e epilépticos; há bocetas glaciais
nas quais você pode deixar cair estrelas cadentes sem provocar
uma faísca; há bocetas mistas que não se enquadram
em categorias e descrições, com as quais você
só encontra uma vez na vida e que o deixam queimado e marcado;
há bocetas feitas de pura alegria que não têm
nome nem antecedente e estas são as melhores de todas, mas
para onde voaram elas? E depois há a boceta das bocetas,
que é tudo e que chamaremos de superboceta, porque não
é desta terra, mas daquele brilhante país para onde
fomos há muito tempo convidados a voar.
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