Rosy Beltrão

Sou paulistana, e sempre morei em São Paulo. Formada em Letras - Português e Alemão pelo Mackenzie, tenho 46 anos, divorciada e tenho dois filhos. Nunca exerci minha profissão acadêmica, sou Fiscal de Tributação Rural e trabalho no INCRA... Fiz vários cursos para a área de gerenciamento, meio-ambiente e conflitos agrários, quase todos voltados para o meu trabalho atual. No momento, estudo inglês e espanhol. Escrevo textos há algum tempo, mas no livro da vida, escrevemos nossa verdadeira história, e ela pode ou não ser a nossa "lenda"... transformar-nos em heróis ou vilãos de nosso futuro... tudo depende da imaginação com que a escrevemos e dos atos praticados por nós mesmos.

 


A procura do ninho

Pássaro solitário, perdido do seu bando.
Voa sem destino, delirante, desvairado,
sem rumo.
Cansado, abatido, sedento... mergulha,
perdido no vento...
Desce verticalmente, sem se importar
onde vai dar...
(Por pouco não se estatela no chão...)
Encontra um charco, bebe água...sacia sua sede,
E chora...Chora de saudades.
Saudades do que não conhece,
do que nunca viu...
Mas percebe presente, sente,entende.
Tem certeza que existe!
Mesmo que não o tenha visto,
por um segundo sequer.
Não é como um qualquer... Ele sabe...
Sabe que está lá...sua alma lhe diz...
(Pobrezinho, está tão infeliz.)
Mas num rompante, altivo e orgulhoso
Seu coração dispara... Pensa alto: porque não?
Chega de aflição, de martírio, mortificação!
Redobradas forças, seiva de suas entranhas...
Alça vôo, tão breve como o pensamento
Suas asas arremetem-se, batendo velozmente,...
Enxuga seu pranto, voa como que por encanto.
Não sabe de onde vem, a força que o mantém...
Já sabe seu caminho...Seu coração lhe diz,
Passou de aprendiz, voa feliz.
Pensamento risonho, não mais tristonho.
Qual alma de curumim, voa,
voa na noite sem fim.

Rosy Beltrão
27/12/00



Água e a mulher...

Olhando a paisagem, um caminho, e não podendo ver onde está o final...só a origem...posso te contar o que tem depois da primeira curva e também como pular pedras, ou desviar delas... porque sou água...que escorre por entre os dedos quando se quer segurar.

Que às vezes é um pequeno fio que corre pela trilha, que forma e transforma seu próprio caminho...encontrando uma pedra, desvia, segue adiante.

Que às vezes encontra um buraco e fica empoçada...mas não por muito tempo, pois corrente contínua, enche a fenda e transborda, buscando novamente seu destino...

Que em outras ocasiões acumula tanta força e com tamanha intensidade, que é capaz de derrubar uma montanha.

Que corre suave, tranqüilamente...como corrente que vai para o mar... calma, límpida, cristalina...

Que viaja em passo acelerado, como quem tem pressa... unindo-se a outras forças que como ela tem vontade de chegar lá, e encontrando diante de si um abismo, se transforma em cachoeira, não desiste, resiste em espuma flutuante...

Pode esfriar tanto, tornar-se sólida e com grande resistência... gelo, gelada, frígida e intransponível... mas branca, brilhante qual cristal flamejante ao sol... alvura que cega... inerte, sem movimento, mas subitamente, ao se expor à luz...escorregadia se torna... move-se por vezes inesperadamente, numa avalanche que leva tudo que encontra pela frente, frondosas árvores... morro abaixo...

Que pode aquecer, e aquecida evapora....faz chover...em grandes quantidades, pesada e sem sentimentos... tempestades...

Que pode vir de leve, como chuva fina e intermitente, ou grossa, sem jeito, desengonçada, mas gostosa como nos dias de verão, rápida e refrescante...... fria ou quente...

Que pode refrescar seu corpo quando tiver calor, um banho quente nos dias de inverno...
Sendo assim, leve, transparente e poderosa, pode matar sua sede, pode alimentar seu corpo, saciar seus desejos...

De fácil miscigenação, aceita componentes atômicos de diversas origens...mas só há uma combinação perfeita, sem resíduos após a decantação... se a outra parte for água também, pura e cristalina como ela.


Rosy Beltrão
14/12/00




É dia de Ventania...

Olhos de águia...
Vôo de gavião.
O vento passa,
Como um tufão

As ondas se levantam.
O mar está bravo.
As jangadas se atracam.
Quebra o cais, que é fraco.

As árvores chiam.
Os animais tropeiam.
As gaivotas no céu cinza, piam.
Relâmpagos o clareiam.

É chuva pesada,
É água molhada.
É vento forte,
Que vem do norte.

Tudo voa.
Tudo se estatela.
Olhando pela janela...
Uma pessoa.

É a força dela,
É o seu jeito,
De dizer que é ela,
Que manda, e nada feito!

Rosy Beltrão
10/12/00



A Morada

Constroem-se mansões, grandes moradas
Mil jardins floridos... palácios...
Cuida-se de tudo... pensa-se em tudo...
Da minha morada...queria dizer...

Habitação maior...
Nela vive minha alma.
Minha casa nobre, que em nada é pobre.
Antes sim, espelhos tivesse,
Refletiriam luzes ofuscantes...

De branco brilhante,intenso
Violeta admirável, arrebatador do meu ser,
Próspero... em elevada espiritualidade...
Intenso vermelho, rubro como carmim,
cor do meu sangue e da minha sensualidade.

Tênues e admiráveis semblantes,
Transparências de azul cristalino...
Amarelo dourado...Cor da minha doçura,
Representante da minha candura.

Prata ... quase anil, vivacidade infantil
Rosa de exuberante ingenuidade,
Mas de incontida alegria vivaz
Nuances de verde matriz, delirantemente excêntrico.

Se alguém pudesse ver minha morada
E toda a sua estrada,
Veria as cores dos meus sentimentos.
De jardins encantados...cheirando a cravos.

De flores exóticas, de relva mansa...
Com pássaros silvando...
Cantando todos os sonhos meus,
Não tenho vergonha de ninguém
Porque na minha casa tem: um "sonhador".

Rosy Beltrão
(05/01/01)




Sozinha...

Adorável homem,doce e gentil...

Senhor meu marido,

A quem amo tanto,

que no entanto...

Me deixa sozinha...

Querendo ser amada...

Querendo ser acariciada...

(Doce e preciosa memória)

Passo a mão pelos meus seios..

Por todo o meu corpo...

Que pede, que clama pelo seu...

Posso sentir o seu ardor...

Sua pulsante paixão,

Por entre as minhas pernas...

Vibrante ardência... formigante desejo...

Abraços e beijos...

Seu cheiro... sua boca a roçar a minha...

Seus lábios quentes, incandescentes....

Que fúria selvagem...

Me deixa louca...

De tanto prazer...

Meu amor,

Não sei se posso ficar sem você!


Rosy
05/01/01