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Sexta Feira.





ÍNDICE

Falando do tempo - Lilia Moritz Schwarcz
A antropóloga escreve o prefácio desta quinta edição, perpassando diferentes perspectivas das noções de tempo no decorrer do desenvolvimento da disciplina antropológica, do funcional-estruturalismo de Durkheim à hermenêutica de Clifford Geertz. Também aponta alguns historiadores, como Braudel e Marc Bloch, que procuram trabalhar na fronteira com a abordagem da antropologia.
A invenção de Morel, entre o Tempo e os Tempos Júlio Pimentel Pinto
O romance de Adolfo Bioy Casares oferece ao autor uma arena para refletir sobre o diálogo entre a noção de Tempo absoluto - cíclico, próprio da natureza e imune à ação do homem - e a idéia de temporalidades plurais - realizações humanas, por isso culturais e imersas na história. O jogo de temporalidades é conduzido no romance pelo desejo do protagonista de superar a morte - o que, afinal, dá limite ao tempo humano e o diferencia dos outros tempos.


O niilismo visionário de Sérgio Bianchi
Florencia Ferrari, Renato Sztutman e Valéria Macedo
O cineasta Sérgio Bianchi fala sobre seu último filme Cronicamente inviável sobre a política cultural do país, sobre as representações construídas em torno de maio de 68, sobre o quadro atual do cinema brasileiro, entre outros assuntos.


Tempo dos loucos, tempos loucos - Peter Pál Pelbart
No artigo, o professor de filosofia e terapeuta problematiza a representação linear, progressiva e cumulativa do tempo a partir da reflexão acerca de outras temporalidades, como a vivida pelos psicóticos. O tempo dos loucos não é lido no domínio do patológico, mas no de sua invenção e resistência.


"Peguei tempo indeterminado". Vigilância, violência e revolta entre os muros da Febem – Paula Miraglia e Rose Satiko Hikiji
A situação da Febem é pensada como confronto entre experiências de tempos contrastantes - o ritmo de vida da criança ou jovem e o da instituição - que fomentam a revolta e apontam para a inviabilidade da internação.


Arte como tradução O livro e o filme da Recherche – Daniel Augusto
O desafio de transpor a obra de Marcel Proust ao cinema é o tema desse
artigo, que se debruça sobre o filme O tempo redescoberto, do diretor
chileno Raul Ruiz. O autor explora em sua análise fílmica temas
recorrentes na obra proustiana, como a memória involuntária, invocando
os escritos de Henri Bergson e Gilles Deleuze.



Tempo: realidade e símbolo – Franklin Leopoldo e Silva
Partindo da enigmática formulação de Santo Agostinho - "(...)o que é o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; porém se quero explicá-lo a quem me pergunta, então não sei"-, o filósofo Franklin Leopoldo e Silva remete-se à história da "intelecção do tempo", desde Platão e Aristóteles, duas matrizes do pensamento grego que tentam cercar a noção de tempo coordenando fugacidade e fixidez, sucessão e imobilidade. O caminho do autor leva ao questionamento bergsoniano a respeito da natureza da linguagem e dos embates entre pensamento objetivo e subjetivo.


Notas sobre os tempos de um tempo: um certo "sr. Segismundo" na São Paulo do início dos anos 1870 – Fraya Frehse
A autora interpreta a cidade de São Paulo dos anos de 1870, período de profundas mudanças espaciais e sócio econômicas. A partir de relatos de um personagem da época, mostra que se altera o modo como as pessoas percebem dia a dia as ruas da cidade e se relacionam entre si, nesses espaços. Os tempos de uma cidade como São Paulo ganham uma nova faceta: o velho e o novo, o antigo e o moderno, o passado e o presente, a continuidade e a ruptura.


Perspectivas do tempo – Márcio Silva
O autor se debruça sobre as diversas abordagens do tema da
temporalidade na disciplina antropológica, partindo da tensão que a
perpassa entre o positivismo e o relativismo. São exploradas as
possibilidades de pensar o tempo para além da perspectiva da
linearidade, que marca a nossa concepção de história. O foco do artigo
volta-se então para a temporalidade tal como ela é concebida pelos
Enawenê-Nawê, povo de língua aruaque do Norte do Mato Grosso.



Arte do tempo: o evento – Celso Favaretto
A passagem da arte moderna para a arte contemporânea é o foco deste artigo. A superação das categorias modernas - o novo, a soberania do sujeito, a racionalidade etc. - abre terreno para a arte como intervenção cultural, como evento. No evento acentua-se a temporalização do espaço, a idéia de acontecimento, a simultaneidade de ritmos, que ora geram séries, ora singularidade


Maria Lúcia Montes, fragmentos de uma entrevista jamais realizada – entrevista feita por Florencia Ferrari, Renato Sztutman e Stélio Marras
Nesta entrevista, a antropóloga Maria Lúcia Montes insiste na necessidade de distinguir três discursos sobre o tempo: aquele que se dá num plano prioritariamente abstrato - o tempo dos filósofos -, aquele que advém de uma construção social - o tempo revelado pela antropologia - e aquele que pode ser apreendido de uma experiência subjetiva - o tempo da memória e da arte.


Pontos-de-vista sobre os 500 – Corpo Editorial
Trata-se de um caderno temático dentro da revista com entrevistas que procuram abordar as comemorações oficiais do 500 anos de "Descobrimento do Brasil", sob diversas perspectivas. Os entrevistados são: o advogado Carlos Marés, especialista em direitos indígenas e ex-presidente da Funai; Kabengele Munanga, antropólogo africanista que estudou o racismo no Brasil e a participação dos negros nas comemorações e na sociedade em geral; Daniel Munduruku, índio que conta sua versão sobre as comemorações e os 500 anos; José Antônio Araújo, antropólogo português curador do módulo de arte indígena da Mostra do Redescobrimento.