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O niilismo visionário de
Sérgio Bianchi Florencia
Ferrari, Renato Sztutman e Valéria Macedo
O cineasta Sérgio Bianchi fala sobre seu
último filme Cronicamente inviável sobre a política
cultural do país, sobre as representações construídas
em torno de maio de 68, sobre o quadro atual do cinema brasileiro, entre
outros assuntos.
Tempo dos loucos, tempos loucos - Peter Pál
Pelbart
No artigo, o professor de filosofia e terapeuta
problematiza a representação linear, progressiva e cumulativa
do tempo a partir da reflexão acerca de outras temporalidades,
como a vivida pelos psicóticos. O tempo dos loucos não é
lido no domínio do patológico, mas no de sua invenção
e resistência.
"Peguei
tempo indeterminado". Vigilância, violência e revolta
entre os muros da Febem Paula Miraglia e Rose Satiko
Hikiji
A situação da Febem é pensada como confronto entre
experiências de tempos contrastantes - o ritmo de vida da criança
ou jovem e o da instituição - que fomentam a revolta e apontam
para a inviabilidade da internação.
Arte
como tradução O livro e o filme da Recherche
Daniel Augusto
O desafio de transpor a obra de Marcel Proust ao
cinema é o tema desse
artigo, que se debruça sobre o filme O tempo redescoberto,
do diretor
chileno Raul Ruiz. O autor explora em sua análise fílmica
temas
recorrentes na obra proustiana, como a memória involuntária,
invocando
os escritos de Henri Bergson e Gilles Deleuze.
Tempo:
realidade e símbolo Franklin Leopoldo e Silva
Partindo da enigmática formulação
de Santo Agostinho - "(...)o que é o tempo? Se ninguém
me pergunta, eu sei; porém se quero explicá-lo a quem me
pergunta, então não sei"-, o filósofo Franklin
Leopoldo e Silva remete-se à história da "intelecção
do tempo", desde Platão e Aristóteles, duas matrizes
do pensamento grego que tentam cercar a noção de tempo coordenando
fugacidade e fixidez, sucessão e imobilidade. O caminho do autor
leva ao questionamento bergsoniano a respeito da natureza da linguagem
e dos embates entre pensamento objetivo e subjetivo.
Notas
sobre os tempos de um tempo: um certo "sr.
Segismundo" na São Paulo do início dos anos 1870
Fraya Frehse
A autora interpreta a cidade de São Paulo
dos anos de 1870, período de profundas mudanças espaciais
e sócio econômicas. A partir de relatos de um personagem
da época, mostra que se altera o modo como as pessoas percebem
dia a dia as ruas da cidade e se relacionam entre si, nesses espaços.
Os tempos de uma cidade como São Paulo ganham uma nova faceta:
o velho e o novo, o antigo e o moderno, o passado e o presente, a continuidade
e a ruptura.
Perspectivas
do tempo Márcio Silva
O autor se debruça sobre as diversas abordagens
do tema da
temporalidade na disciplina antropológica, partindo da tensão
que a
perpassa entre o positivismo e o relativismo. São exploradas as
possibilidades de pensar o tempo para além da perspectiva da
linearidade, que marca a nossa concepção de história.
O foco do artigo
volta-se então para a temporalidade tal como ela é concebida
pelos
Enawenê-Nawê, povo de língua aruaque do Norte do Mato
Grosso.
Arte
do tempo: o evento Celso Favaretto
A passagem da arte moderna para a arte contemporânea
é o foco deste artigo. A superação das categorias
modernas - o novo, a soberania do sujeito, a racionalidade etc. - abre
terreno para a arte como intervenção cultural, como evento.
No evento acentua-se a temporalização do espaço,
a idéia de acontecimento, a simultaneidade de ritmos, que ora geram
séries, ora singularidade
Maria Lúcia Montes, fragmentos de uma entrevista
jamais realizada entrevista feita por Florencia Ferrari,
Renato Sztutman e Stélio Marras
Nesta entrevista, a antropóloga Maria Lúcia
Montes insiste na necessidade de distinguir três discursos sobre
o tempo: aquele que se dá num plano prioritariamente abstrato -
o tempo dos filósofos -, aquele que advém de uma construção
social - o tempo revelado pela antropologia - e aquele que pode ser apreendido
de uma experiência subjetiva - o tempo da memória e da arte.
Pontos-de-vista sobre os 500 Corpo
Editorial
Trata-se de um caderno temático dentro
da revista com entrevistas que procuram abordar as comemorações
oficiais do 500 anos de "Descobrimento do Brasil", sob diversas
perspectivas. Os entrevistados são: o advogado Carlos Marés,
especialista em direitos indígenas e ex-presidente da Funai; Kabengele
Munanga, antropólogo africanista que estudou o racismo no Brasil
e a participação dos negros nas comemorações
e na sociedade em geral; Daniel Munduruku, índio que conta
sua versão sobre as comemorações e os 500 anos; José
Antônio Araújo, antropólogo português curador
do módulo de arte indígena da Mostra do Redescobrimento.
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