|

|
Artigos
O real e seu avesso:
as utopias clássicas
Por Maria das Graças de Souza
A filósofa acompanha o estreito vínculo entre a aurora da
modernidade e as idéias, hoje clássicas, relativas à
utopia, remontando a autores como Morus, Campanella e Bacon para investigar
as relações sempre históricas entre real e imaginado.
Finalmente, contrapõe-se a Mannheim e Ricouer quanto a suas interpretações
negativas da noção de utopia e seu serviço ideológico.
Qual
estação do porvir (por causa de uma visão em Chico
Buarque)
Por Stélio Marras
O ensaio explora o campo semântico de Estação derradeira,
canção de Chico Buarque, tendo como pano de fundo o conjunto
da obra do autor. Trata-se de interpretar o pensamento de Chico a respeito
da natureza dos dramas sociais brasileiros, tão míticos
quanto históricos, que aí se montam, e cuja especulação
de seus desenlaces parece esboçar uma visão, alarmante ou
promissora, do porvir coletivo brasileiro. Sendo matéria de escatologia
social e imaginação prospectiva, a leitura recai sobre os
princípios de oposição sociológica que desenham
a visão de Chico e suas soluções para os dramas.
Utopias missionárias na América
Por Paula Montero
A autora discute a presença de missionários católicos
entre populações indígenas na Amazônia à
luz da matriz humanista consolidada no século XVI, na qual está
inserida a obra A utopia de Thomas Morus e que teve influência
sobre a empresa jesuítica. O foco está dado na presença
da missão salesiana no Brasil, mais especificamente na sua atuação
entre os índios Bororo, Xavante e Tukano, e na maneira pela qual
a sua arquitetura espelha valores de um cultura missionária.
Utopia
e fabricação da cidade
Por Guilherme Wisnik
O autor analisa a palavra "utopia", criada por Thomas Morus
em sua obra homônima e que quer dizer "em lugar algum",
para discutir a trajetória das cidades no mundo ocidental, culminando
em uma discussão sobre o sentido da cidade moderna e os projetos
para sua superação. As reflexões de Hannah Arendt,
em A condição humana, são debatidas à
luz de projetos de arquitetos contemporâneos.
Essa
incansável tradução. Entrevista com Dominique Tilkin
Gallois
Por Evelyn Schuler, Florencia Ferrari, Renato Sztutman e Valéria
Macedo
A antropóloga evidencia nesta entrevista, a partir de sua longa
experiência com dois grupos tupi-guarani, como esses povos aprendem
a "ser índios". Sua recusa da utopia do retorno a um
mundo intocado nos conduz a uma reflexão mais geral sobre sua concepção
de antropologia como incessante e talvez por isso também
utópico trabalho de tradução em mão
dupla.
Nossas
utopias não são as deles: os Mebengokre (Kayapó)
e o mundo dos brancos
Por Cesar Gordon
O artigo problematiza a relação do grupo indígena
Kayapó com a sociedade brasileira, deflagrando as utopias de um
e outro lado que acabam projetando valores e conceitos no outro que lhes
é exterior; o autor analisa principalmente a idéia largamente
difundida de que o índio é, por princípio, um ecologista.
Utopias
tecnológicas, distopias ecológicas e contrapontos românticos:
"Populações tradicionais" e áreas protegidas
nos trópicos
Por Henyo T. Barretto Filho
O conceito de Parque Nacional é objeto de análise neste
ensaio, por meio de uma abordagem crítica sobre a noção
reificada de "natureza" e de "populações
tradicionais" a que ele é comumente associado.
Da
virada Cibernética aos abismos da globalização. Entrevista
com Laymert Garcia dos Santos
Por Valéria Macedo
O sociólogo analisa um variado leque de temas associados ao que
chamou de "virada cibernética", pela qual a informação,
processada no plano digital e molecular, foi apropriada pelo capital globalizado
e opera de modo a converter a biodiversidade e a sociodiversidade mundiais
em matéria-prima à disposição da tecnociência.
Genética
e ética
Por Franklin Leopoldo e Silva
O artigo traz uma reflexão sobre as relações entre
ciência e ética, chamando a atenção para o
distanciamento que hoje se repara quanto ao ideal humanista centrado no
binômio humanidade-dignidade. Os discursos que provêem de
pesquisas atuais na área da genética baseiam-se em uma concepção
de ciência pura, autônoma, portanto acima de questões
éticas, quando, na realidade, ela parece se mostrar, mais do que
nunca, impregnada de questões sociais, econômicas e culturais.
Uma
festa sem fim elogio a Os Errantes do Novo Século
Por Silvana Nascimento
A resenha crítica procura recuperar a importância da tese
de doutorado de Duglas Teixeira Monteiro, Os Errantes do Novo Século,
de 1972, defendida no antigo departamento de Ciências Sociais da
USP, que se debruçou sobre o histórico movimento milenarista
do Contestado, ocorrido na fronteira entre Paraná e Santa Catarina,
no início do século passado (1912-16). Uma das interpretações
mais interessantes do trabalho de Duglas está na idéia de
que, em meio à guerra, à repressão policial e à
incompreensão por parte dos não adeptos ao movimento, as
festas passaram de exceção à regra, de periodicidade
à permanência. Nas vilas santas, ao invés de estarem
intercaladas no calendário sertanejo, como suspensões da
rotina, as festas se tornaram cotidianas, com distribuição
farta de comida, bailes, sem deixar de lado, é claro, os rituais
de reza e procissão.
Duglas
Teixeira Monteiro, um intelectual a contracorrente (1926-78)
Por Walnice Nogueira Galvão
Texto biográfico e comentado sobre o intelectual Duglas Teixeira
Monteiro, que acompanha o percurso acadêmico do sociólogo
ao lado de algumas histórias de sua vida que, muitas vezes, esteve
voltada para o estilo de vida caipira ou do mundo rural.
Pílulas
de contra-utopia. Entrevista com José Arthur Giannotti
Por Florencia Ferrari, Renato Sztutman e Silvana Nascimento
Em uma entrevista singular, Giannotti pincela as noções
de utopia e imaginário, revelando sua aposta nos "vetores
do presente". O futuro, em seu entender, deve ser pensado a partir
de sua inscrição no presente. Em pequenas "pílulas",
o filósofo explora ainda idéias de Marx e o debate sobre
a (a)moralidade na política.
Entrevista
inacabada de uma pergunta só com
Paulo Eduardo Arantes
Por Florencia Ferrari e Stélio Marras
Pensador engajado, Paulo Arantes remonta em perspectiva histórica,
e numa espécie de exegese, as noções e sentidos de
revolução e socialismo, percorrendo sem vacilo século
após século da chamada tradição crítica,
libertária ou emancipadora, assim tornando mais compreensível,
por exemplo, a relação entre utopia e história.
Nação
e imaginação
Por Paulo Eduardo Arantes
O que seria uma "resenha" do livro do antropólogo Benedict
Anderson, chamado Comunidades imaginadas, torna-se uma revisão
crítica do conceito de Nação, associado à
imaginação. Contra a idéia de que a Nação
surge de um processo racional de burocratização, os autores
abordados propõem pensar culturalmente a invenção
da Nação, acompanhando o momento em que a unidade político-administrativa
transforma-se em "comunidade imaginada", passando a ganhar um
novo significado coletivo.
De
gestos e políticas: utopias realizáveis
ligeira entrevista com Lula
Por Renato Sztutman, Stélio Marras, Silvana Nascimento, Florencia
Ferrari e Rose Satiko Hikiji
Luís Inácio Lula da Silva, presidente de honra do PT, tece
reflexões sobre as utopias que permeiam suas preocupações
políticas e sociais, desde o início de sua carreira como
sindicalista até a atual campanha política para as eleições
presidenciais. Entre as idéias discutidas na entrevista estão
a nova e polêmica concepção de socialismo
de Lula e a importância de atores políticos emergentes, como
os movimentos sociais e as ONGs.
Ilhas
de Histórias. Entrevista com Jorge Furtado
Por Valéria Macedo
Nesta entrevista, o cineasta do curta Ilha das Flores fala da sua
produção recente seu primeiro longa-metragem deverá
ser exibido no início de 2002 e discute diferenças
e semelhanças entre curta e longa-metragem, documentário
e ficção, cinema e televisão.
Futuro
inesquecível
Por Chico Lopes
A distopia como vertente fundamental do cinema de ficção
científica é o tema do ensaio do jornalista e escritor Chico
Lopes. Blade Runner O caçador de andróides é
tomado como paradigma deste cinema em que o futuro é ao mesmo tempo
evocado e exorcizado.
Pierre
Clastres, Etnólogo da América
Por Tânia Stolze Lima e Marcio Goldman
Os autores discutem o conjunto da obra de Pierre Clastres, antropólogo
e filósofo francês notável que teve o desenvolvimento
de seu pensamento interrompido por morte súbita, quando era ainda
jovem. Clastres é apresentado como defensor de uma "ciência
da sociedade ameríndia" em contraposição a Claude
Lévi-Strauss, mais interessado em fundar uma "ciência
do homem". Assim, o tema aqui perseguido é a construção
de uma imagem da sociedade ameríndia que toma para si discussões
caras à filosofia política e à teoria antropológica.
O
inferno de Pascal
Por Bernardo Carvalho
Um desafio proposto por Pascal aos ateus, no século XVII, é
o mote da crônica do escritor e jornalista Bernardo Carvalho. O
questionamento sobre a existência de Deus revela-se uma armadilha
lógica, à qual se percebem presos o "tio jesuíta"
e o próprio autor.
|